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ARS
O verso é um vaso santo; pondo nele somente Um pensamento puro, Em cujo fundo bulam fervente as imagens, Como bolhas douradas de um velho vinho escuro!
Ali vertei as flores que na contínua luta Pisou do mundo o frio, Lembranças deliciosas de tempos que não voltam, E nardos empapados de gotas de rocio.
Para que se perfume a mísera existência Como de essência ignota Queimando-se no fundo da alma enternecida: De tal supremo bálsamo chega uma só gota.
José Asunción Silva Colômbia- 1865-1896
____________________________ Enviado por Amélia Pais http://barcosflores.blogspot.com/
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